quinta-feira, 24 de outubro de 2013

POESIAS DE OUTUBRO - DIA 24



Hilda Hilst


ALGUMAS COISAS ME ATRAÍRAM PARA HILDA HILST: TER MORADO EM SANTOS E, DEPOIS DISSO, TER ESTUDADO NO INTERNATO SANTA MARCELINA, EM SÃO PAULO E SIDO ALI CONTEMPORÂNEA DE MINHA MÃE. SANTOS FOI A MELHOR CIDADE DAS QUE MOREI E TENHO ALI GUARDADAS AS MINHAS MELHORES "PÁGINAS" COMO SE NÃO BASTASSE MINHA MÃE ATÉ HOJE FALA COM MUITA SAUDADE E CARINHO DESSE COLÉGIO INTERNO, ONDE EU TAMBÉM QUIS ESTUDAR, A EXEMPLO DO ACONTECIDO COM DUAS DE MINHAS PRIMAS CONTEMPORÂNEAS DA MINHA ADOLESCÊNCIA, MAS MEU PAI NÃO DEIXOU POR ACHAR QUE MELHOR LUGAR DE FILHO CRESCER É AO LADO DOS PAIS. AINDA HOJE EU ACHO QUE PERDI MUITAS "GRANDES PÁGINAS" MINHAS POR NÃO TER VIVIDO ALGUM TEMPO NO COLÉGIO INTERNO. A BIOGRAFIA DE HILDA É TÃO MOVIMENTADA E SURPREENDENTE QUANTO SUA OBRA E VALE A PENA SER LIDA. TRAGO AQUI ALGUNS FRAGMENTOS MAS TENHA O PRAZER DE LER NA ÍNTEGRA EM:  




Nasceu na cidade de Jaú, interior do Estado de São Paulo, no dia 21 de abril de 1930, filha única do fazendeiro, jornalista, poeta e ensaísta Apolônio de Almeida Prado Hilst e de Bedecilda Vaz Cardoso. Com pouco tempo de vida, seus pais se separaram, o que motivou sua mudança, com a mãe, para a cidade de Santos (SP). Seu pai, que sofria de esquizofrenia, foi internado num sanatório em Campinas (SP), tendo nessa época 35 anos de idade. Até sua morte passou longos períodos em sanatórios para doentes mentais.

Foi para o colégio interno, Santa Marcelina, na cidade de São Paulo, em 1937, onde estudou por oito anos. 

Hilda lança seus primeiros livros: "Presságio" (1950), e "Balada de Alzira" (1951).Em 1959 publica o livro de poesia "Roteiro do silêncio" e "Trovas de muito amor para um amado senhor".Por imposição da mãe, internada no mesmo sanatório em Campinas onde estivera seu pai, casa-se com Dante Casarini, em 1968. Escreve as peças "O visitante", "Auto da barca de Camiri", "O novo sistema" e "As aves da noite". "O visitante" e "O rato no muro" são encenadas no Teatro Anchieta, em São Paulo, para exame dos alunos da Escola de Arte Dramática, sob direção de Terezinha Aguiar.No ano de 1977 é publicado o livro "Ficções", que recebe o prêmio da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA), como "Melhor Livro do Ano".

Agraciada, em 2002, com o Prêmio Moinho Santista - 47ª edição, categoria poesia.
Agraciada, em 2003, pela Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA), na área de literatura, com o Grande Prêmio da Crítica pela reedição de suas "Obras completas".

Hilda Hilst faleceu no dia 04 de fevereiro de 2004, na cidade de Campinas (SP).



Roteiro do silêncio




Não há silêncio bastantePara o meu silêncio.
Nas prisões e nos conventosNas igrejas e na noite
Não há silêncio bastante
Para o meu silêncio
Os amantes no quarto.

Os ratos no muro.
A menina
Nos longos corredores do colégio.
Todos os cães perdidos
Pelos quais tenho sofrido:
O meu silêncio é maior
Que toda solidão
E que todo silêncio.


UM PASSEIO NA ORLA SANTISTA, NO DIA DO ENCONTRO DE BLOGUEIRAS

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quarta-feira, 23 de outubro de 2013

POESIAS DE OUTUBRO - DIA 23


A SÉRIE "POESIAS DE OUTUBRO" TROUXE FERNANDO PESSOA NO DIA 03 E VOCÊ PODE REVER O POST AQUI. HOJE COISASDLEO TRAZ DO POETA O POEMA "ANIVERSÁRIO", PARA ENFEITAR MEU DIA COM A ACIDEZ E SARCASMO MUITO ENGRAÇADOS COM QUE ELE ENCAROU UM ANIVERSÁRIO QUALQUER QUE, ESPERO, NÃO TENHA SIDO EM MINHA HOMENAGEM "PRÉSTUMA"

Aniversário  

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu era feliz e ninguém estava morto.
Na casa antiga, até eu fazer anos era uma tradição de há séculos,
E a alegria de todos, e a minha, estava certa com uma religião qualquer.

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu tinha a grande saúde de não perceber coisa nenhuma,
De ser inteligente para entre a família,
E de não ter as esperanças que os outros tinham por mim.
Quando vim a ter esperanças, já não sabia ter esperanças.
Quando vim a olhar para a vida, perdera o sentido da vida.

Sim, o que fui de suposto a mim mesmo,
O que fui de coração e parentesco.
O que fui de serões de meia-província,
O que fui de amarem-me e eu ser menino,
O que fui — ai, meu Deus!, o que só hoje sei que fui…
A que distância!…
(Nem o acho…)
O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!

O que eu sou hoje é como a umidade no corredor do fim da casa,
Pondo grelado nas paredes…
O que eu sou hoje (e a casa dos que me amaram treme através das minhas
lágrimas),
O que eu sou hoje é terem vendido a casa,
É terem morrido todos,
É estar eu sobrevivente a mim mesmo como um fósforo frio…

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos…
Que meu amor, como uma pessoa, esse tempo!
Desejo físico da alma de se encontrar ali outra vez,
Por uma viagem metafísica e carnal,
Com uma dualidade de eu para mim…
Comer o passado como pão de fome, sem tempo de manteiga nos dentes!

(FERNANDO PESSOA)


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terça-feira, 22 de outubro de 2013

QUEM DISSE QUE NÃO???




BC FOTOS  - "COISASDMORENA"

HOJE TEM CAFÉ DA MANHÃ???
tem sim senhor !!!


. . . e quem disse que eu não ganhei manequim de costureira? Minha amiga Nancy e seu filhote Davi me presentearam com dois mimos que definitivamente enfeitarão meus cafés da manhã:


ELAS VIERAM NESTA CAIXA PRA LÁ DE LINDA !


 E ESSE ESPETÁCULO DE PITACO AMARELO NA COZINHA ENTÃO? NÃO DÁ AINDA MAIS VONTADE DE COMER UMA FATIA DESSE PANETONE? COISASDNANCY


DAQUI PRA FRENTE AS CHANCES DE EU NÃO TOMAR MAIS MEU DESJEJUM EM PÉ NA BEIRA DA PIA AUMENTARAM...AHAHAHAHAHAH ...


POESIAS DE OUTUBRO - DIA 22 (A VÉSPERA )




Gregório de Matos e Guerra foi um importante poeta colonial brasileiro do século XVII e representante mór da poesia barroca no país. Nasceu em 7 de abril de 1633, na cidade de Salvador (Bahia). 





Era de uma família rica, formada por empreiteiros e altos funcionários administrativos. Estudou num colégio Jesuíta da Bahia e depois continuou seus estudos na cidade de Lisboa e depois na Universidade de Coimbra, onde se formou em Direito. Neste país fez carreira de jurista. Recebeu o apelido de Boca do Inferno, graças a sua irreverente obra satírica. Por mais que eu tentasse, não consegui descobrir o nome deste poema. Seria fácil escolher outro para representar GREGÓRIO, mas nenhum  teve tanta sintonia comigo . . . quem descobrir o nome deste poema do Boca do Inferno, por favor, deixe em comentário neste post. Obrigada desde já !


BOCA DO INFERNO

Falsa gentileza vã,
A quem segue o teu verdor!
Adverte, que se hoje és flor,
Serás caveira amanhã.
Essa beleza louça
Te está mesmo condenando

Se corres, com pano largo,
Trás dos deleites de uma hora,
Vê bem que o que é doce agora
Te há de ser depois amargo.
Desperta desse letargo
Que que os vícios te detêm,
E vive como convém;
Pois se sabes que és mortal,
Olha bem: não morras mal,
Olha bem que vivas bem.

Se a esperar tempo te atreves,
Mal na vida te confias;
Pois são tão curtos os dias,
Quanto as horas são mais breves.
Deixa os gostos vão e leves,
Que tanto estás anelando:
Trata de ir-te aparelhando
Para a morte, e sem demora;
Porque não sabes a hora,
Porque não sabes o quando.

Deixa o mundo os enganos,
Não queiras em tanta lida,
Por breve gostos da vida
Penar por eternos anos.
Gregório de Matos

POETA DE MIL ALMAS, O ACERVO DE SUA OBRA PERCORRE TANTOS CAMINHOS !. DO EXTREMAMENTE RELIGIOSO AO PROFANO. DO ERÓTICO AO SATÍRICO. . FOI DIFÍCIL ESCOLHER UM BEM REPRESENTATIVO. ENTÃO, PARA HARMONIZAR COM O TOSCO APELIDO "BOCA DO INFERNO" SEPAREI ESTE PARA MEU LEITOR. PERDOE SE VEM SEM TÍTULO. O GOOGLE ANDA BRINCANDO COMIGO... ESPERO QUE TENHA GOSTADO DESSE MERECIDAMENTE ESCOLHIDO COMO  REPRESENTANTE DA POESIA BARROCA BRASILEIRA.





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segunda-feira, 21 de outubro de 2013

POESIAS DE OUTUBRO - DIA 21


EM LITERATURA, A PALAVRA "CLÁSSICO" TEM ORIGEM NA ANTIGUIDADE CLÁSSICA, PERÍODO QUE CORRESPONDE AO ESTILO ARTÍSTICO E CULTURAL DA GRÉCIA ANTIGA COMPREENDIDO ENTRE OS SÉCULOS VI E IV AC. ROMA PEGOU CARONA NESSA BARCA E O PERÍODO COM O TEMPO PASSOU A SER CONHECIDO POR ANTIGUIDADE GRECO-ROMANA.
COISASDLEO LEU SUPERFICIALMENTE E, NUMA REVISÃO NECESSÁRIA PARA A PESQUISA DE POESIA CLÁSSICA, ACABOU OPTANDO  POR SUGERIR AO LEITOR QUE ENTREGUE-SE AOS ENCANTOS DOS POEMAS CLÁSSICOS E, SE ACHAR QUE DEVE, PODE BUSCAR SUA REVISÃO HISTÓRICA QUE, PELO MENOS PARA MIM, FOI GENEROSAMENTE REVIGORANTE AO SER FEITA MESMO QUE MODESTAMENTE..


UMA DAS VERTENTES DA POESIA CLÁSSICA BRASILEIRA É A PARNASIANISTA, CUJAS LINGUAGEM REBUSCADA E PERFEIÇÃO DA FORMA FAZEM PARTE DAS PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS. OLAVO BILAC FOI UMA DAS BANDEIRAS QUE MAIS TREMULARAM NO MUNDO DA POESIA CLÁSSICA BRASILEIRA E, PARA REPRESENTÁ-LO ESCOLHI O POEMA QUE MAIS FALA COMIGO, COM MINHA PAIXÃO PELO DISCURSO FORMAL. O MEU, NADA PARNASIANISTA. PELO CONTRÁRIO: NOSSA AMADA LÍNGUA PORTUGUESA É TÃO MAIS EFICIENTE QUANTO MAIS OBJETIVA E CLARA, BASTANDO PARA SUA PERFEITA COMUNICAÇÃO, O USO CORRETO.

ARQUIVO GOOGLE



Língua Portuguesa
Olavo Bilac



Última flor do Lácio, inculta e bela,

És, a um tempo, esplendor e sepultura:

Ouro nativo, que na ganga impura

A bruta mina entre os cascalhos vela…

Amo-te assim, desconhecida e obscura,

Tuba de alto clangor, lira singela,

Que tens o trom e o silvo da procela

E o arrolo da saudade e da ternura!

Amo o teu viço agreste e o teu aroma

De virgens selvas e de oceano largo!

Amo-te, ó rude e doloroso idioma,

Em que da voz materna ouvi: "meu filho!"

E em que Camões chorou, no exílio amargo,

O gênio sem ventura e o amor sem brilho!




 ( AGORA ME FALA: COM UMA LÍNGUA MARAVILHOSA COMO A NOSSA, DÁ PRA ACEITAR O POVO GOSTAR DO "VOU ESTAR FAZENDO" EM SONORO PEDANTISMO INCULTO E AINDA ACHAR ISSO CHIC? A ESSE DESPREPARO LINGUISTA DÁ-SE O NOME DE CACOETE DE DISCURSO, POBRE RECURSO CONHECIDO COMO GERUNDISMO, VÍCIO DA FALA DE QUEM NÃO CONHECE O PRÓPRIO IDIOMA !)



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domingo, 20 de outubro de 2013

VERDES VERSOS - NINHO EM OUTUBRO







PASSAR O MÊS PESQUISANDO POESIAS PELO SIMPLES FATO DE ENFEITAR O MÊS DO MEU ANIVERSÁRIO COM NOVOS CONHECIMENTOS DE LITERATURA E VENCER O MEU  DESCUIDADO DE SEMPRE PARA COM ESSE GÊNERO LITERÁRIO NÃO ME DEIXOU DESCUIDAR DAS PLANTAS DO NINHO. TUDO TEM SEU TEMPO E SUA HORA SE A GENTE PRECISA DE EVOLUÇÃO E A ARTE DE ADMINISTRAR PLANEJANDO NO MELHOR DOS RITMOS É POSSÍVEL SIM ! POIS BEM: HOJE JÁ É O 20º DIA DE "POESIAS DE OUTUBRO". TENHO DESCOBERTO POETAS INCRÍVEIS ( POETISAS IDEM, CLARO ), PESQUISADO MUITO COMO NOS BONS TEMPOS  DAS MINHAS PÓS-GRADUAÇÕES E ME TORNADO UMA PESSOA INTELECTUALMENTE MAIS POLIDA. COMO DIRIA LULU SANTOS  - ISSO ME FAZ TÃO BEM -  E TEM FEITO O MESMO PELAS MINHAS PLANTAS . . .


















POESIAS DE OUTUBRO - DIA 20


DOMINGO É O DIA MUNDIAL DA AJUDA, OPOSIÇÃO ? É ISSO MESMO?
POIS VOU PEDIR AO LEITOR: O QUE MAIS PODE DESCOBRIR DESSA POETISA DE MIL PENSAMENTOS ETERNOS? DE SOLIDARIEDADE UNIVERSAL E AMOR MATERNAL IMENSOS? DE HISTORIADORA EM VERSO . . . COMPETENTE SEMPRE E EM TUDO QUE FAZ (FEZ)? OU ESTE POEMA ESPETACULAR FOI UM GOLPE SOLITÁRIO DE INSPIRAÇÃO DIVINA NA VIDA DELA?
VOCÊ TAMBÉM VAI IMPRESSIONAR-SE ! E POR SER DOMINGO, NADA MAIS QUE DOMINGO EU TRAGO HOJE . . . PELO TAMANHO E PELA ATENÇÃO QUE A LEITURA REQUER. PELA ESPANHA, PELA ÍMPAR ANALOGIA QUE FAZEMOS, OS BRASILEIROS COM OS DIAS QUE ORA VIVEMOS, SE TIVERMOS POR SANGUE A NOSSA DOR DE POVO MASSACRADO EMOCIONALMENTE. CONFIRA E COMENTE:





CARTA A MEUS FILHOS  SOBRE OS FUZILAMENTOS DE GOYA  

   
   
                                                                  Gloria de Guido Cavalcanti  
   
   



Não sei, meus filhos, que mundo será o vosso,
É possível, tudo é possível, que ele seja
aquele que eu desejo para vós. Um simples mundo,
onde tudo tenha apenas a dificuldade que advém
de nada haver que não seja simples e natural.
Um mundo em que tudo seja permitido,
conforme o vosso gosto, o vosso anseio, o vosso prazer,
o vosso respeito pelos outros, o respeito dos outros por vós,
E é possível que não seja isto, nem seja sequer isto
o que vos interesse para viver. Tudo é possível,
ainda quando lutemos, como devemos lutar,
por quanto nos pareça a liberdade e a justiça,
ou mais que qualquer delas uma fiel
dedicação à honra de estar vivo.
Um dia sabereis que mais que a humanidade
não tem conta o número dos que pensaram assim,
amaram o seu semelhante no que ele tinha de único,
de insólito, de livre, de diferente,
e foram sacrificados, torturados, espancados,
e entregues hipocritamente à secular justiça,
para que os liquidasse "com suma piedade e sem efusão de sangue"
Por serem fiéis a um deus, a um pensamento,
a uma pátria, uma esperança, ou muito apenas
à fome irresponsável que lhes roía as entranhas,
foram estripados, esfolados, queimados, gaseados,
e os seus corpos amontoados tão anonimamente
quanto haviam vivido ou suas cinzas dispersas
para que delas não restasse memória.
Às vezes, por serem de uma raça, outras
por serem de uma classe, expiaram todos
os erros que não tinham cometido ou não tinham consciência
de haver cometido. Mas também aconteceu
e acontece que não foram mortos.
Houve sempre infinitas maneiras de prevalecer,
aniquilando mansamente, delicadamente,
por ínvios caminhos quais se diz que não são ínvios os de Deus.
Estes fuzilamentos, este heroísmo, este horror,
foi uma coisa, entre mil, acontecia em Espanha
há mais de um século e que por violenta e injusta
ofendeu o coração de um pintor chamado Goya,
que tinha um coração muito grande, cheio de fúria
e de amor. Mas isto nada é, meus filhos.
Apenas um episódio, um episódio breve,
nesta cadeia de que sois um elo (ou não sereis)
de ferro e de suor e sangue e algum sémen
a caminho do mundo que vos sonho.
Acreditai que nenhum mundo, que nada nem ninguém
vale mais que uma vida ou a alegria de tê-la.
É isto o que mais importa - essa alegria.
Acreditai que a dignidade em que hão-de falar-vos tanto
não é senão essa alegria que vem
de estar-se vivo e sabendo que nenhuma vez
alguém está menos vivo ou sofre ou morre
para que um só de vós resista um pouco mais
à morte que é de todos e virá.
Que tudo isto sabereis serenamente,
sem culpas a ninguém, sem terror, sem ambição,
e sobretudo sem desapego ou indiferença,
ardentemente espero. Tanto sangue,
tanta dor, tanta angústia,
um dia- mesmo que o tédio de um mundo feliz vos persiga -
não hão-de ser em vão. Confesso que
muitas vezes, pensando no horror de tantos séculos
de opressão e crueldade, hesito por momentos
e uma amargura me submerge inconsolável.
Serão ou não em vão? Mas, mesmo que o não sejam,
quem ressuscita esses milhões, quem restitui
não só a vida, mas tudo o que lhes foi tirado?
Nenhum Juízo Final, meus filhos, pode dar-lhes
aquele instante que não viveram, aquele objeto
que não fruíram, aquele gesto
de amor, que fariam "amanhã".
E, por isso, o mesmo mundo que criemos
nos cumpre tê-lo com cuidado, como coisa
que não é só nossa, que nos é cedida
para a guardarmos respeitosamente
em memória do sangue que nos corre nas veias,
da nossa carne que foi outra, do amor que
outros não amaram porque lho roubaram.


(EMOCIONANTE GRAN FINALE)


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sábado, 19 de outubro de 2013

POESIAS DE OUTUBRO - DIA 19



"Você não é apenas uma gota no oceano. É também o oceano na gota."


SÉC XIII


Jalal ud-Din Rumi


A evolução da forma



Toda forma que vês
tem seu arquétipo no mundo sem-lugar.
Se a forma esvanece, não importa,
permanece o original.

As belas figuras que viste,
as sábias palavras que escutaste,
não te entristeças se pereceram.

Enquanto a fonte é abundante,
o rio dá água sem cessar.
Por que te lamentas se nenhum dos
dois se detém?

A alma é a fonte,
e as coisas criadas, os rios.
Enquanto a fonte jorra, correm os rios.
Tira da cabeça todo o pesar
e sorve aos borbotões a água deste rio.
Que a água não seca, ela não tem fim.

Desde que chegaste ao mundo do ser,
uma escada foi posta diante de ti,
para que escapasses.
Primeiro, foste mineral;
depois, te tornaste planta,
e mais tarde, animal.
Como pode ser isto segredo para ti?

Finalmente foste feito homem,
com conhecimento, razão e fé.
Contempla teu corpo; um punhado de pó
vê quão perfeito se tornou!

Quando tiveres cumprido tua jornada,
decerto hás de regressar como anjo;
depois disso, terás terminado de vez com a terra,
e tua estação há de ser o céu.

Passa de novo pela vida angelical,
entra naquele oceano,
e que tua gota se torne o mar,
cem vezes maior que o Mar de Oman.

Abandona este filho que chamas corpo
e diz sempre Um; com toda a alma.
Se teu corpo envelhece, que importa?
Ainda é fresca tua alma.


Jalal ud-Din Rumi

Poeta e místico sufi do século XIII
(Poemas Místicos, Ed. Attar, 1996)




"Apesar de reverenciado nos últimos 700 anos como uma das maiores expressões da poesia em todo o mundo islâmico (persa, árabe, turco, urdu), Rumi só se tornou conhecido no Ocidente a partir do início do século passado, quando apareceram na Alemanha as primeiras traduções de excertos do Masnavi e do Divan de Shams de Tabriz,  empreendidas por Joseph van Hammer Purgstall. Tais traduções inspiraram Goethe a escrever o fascinante "Divan do Ocidente e do Oriente", em 1815, imitando o estilo de vários autores árabes e persas..."
http://rosacruzes.blogspot.com.br/2010/08/jalal-ud-din-rumi.html


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SE ORIENTE QUE O ORIENTE DÁ A COR E O TOM




ESMALTE E POESIA

HOJE, EM PLENA SÉRIE "POESIAS DE OUTUBRO" DO COISASDLEO, O MOSAICO REALI TRAZ EM SUA DELICIOSA BLOGAGEM COLETIVA O TEMA POESIA, PREFERENCIALMENTE COM EMPATIA ENTRE BLOGUEIRA E O POEMA ESCOLHIDO. NÃO FOI POR OUTRO MOTIVO QUE TAMBÉM NO POST DE HOJE DA SÉRIE "POESIAS DE OUTUBRO" EU TROUXE ESTE MESMO POEMA. ELE É INCRÍVEL, POR MUITOS MOTIVOS. O AUTOR, MESMO SENDO DO SÉCULO XIII, CONSEGUE SER ATUALÍSSIMO, QUASE NUMA PROVA CONCRETA DA ETERNIDADE DA ALMA. COMUNGA COM O QUE ENTENDO COMO ESSÊNCIA DA VIDA E É LINDÍSSIMO. COM VOCÊS,
Jalal ud-Din Rumi:



A evolução da forma

Toda forma que vês
tem seu arquétipo no mundo sem-lugar.
Se a forma esvanece, não importa,
permanece o original.

As belas figuras que viste,
as sábias palavras que escutaste,
não te entristeças se pereceram.

Enquanto a fonte é abundante,
o rio dá água sem cessar.
Por que te lamentas se nenhum dos
dois se detém?

A alma é a fonte,
e as coisas criadas, os rios.
Enquanto a fonte jorra, correm os rios.
Tira da cabeça todo o pesar
e sorve aos borbotões a água deste rio.
Que a água não seca, ela não tem fim.

Desde que chegaste ao mundo do ser,
uma escada foi posta diante de ti,
para que escapasses.
Primeiro, foste mineral;
depois, te tornaste planta,
e mais tarde, animal.
Como pode ser isto segredo para ti?

Finalmente foste feito homem,
com conhecimento, razão e fé.
Contempla teu corpo; um punhado de pó
vê quão perfeito se tornou!

Quando tiveres cumprido tua jornada,
decerto hás de regressar como anjo;
depois disso, terás terminado de vez com a terra,
e tua estação há de ser o céu.

Passa de novo pela vida angelical,
entra naquele oceano,
e que tua gota se torne o mar,
cem vezes maior que o Mar de Oman.

Abandona este filho que chamas corpo
e diz sempre Um; com toda a alma.
Se teu corpo envelhece, que importa?
Ainda é fresca tua alma.


Jalal ud-Din Rumi

Poeta e místico sufi do século XIII
(Poemas Místicos, Ed. Attar, 1996)



AINDA É FRESCA MINHA ALMA, ASSIM COMO AS NOVAS FOLHAS QUE NASCEM DA MESMA PLANTA


E É COM A ALMA ACRESCENTADA DE BOAS ENERGIAS QUE ESCOLHI A COR VERMELHO ESCURO NO ESMALTE DESTA SEMANA. HÁ TEMPOS NÃO USAVA A COR QUE FOI MINHA ÚNICA PAIXÃO DE ANOS LONGOS ATÉ EXATOS DOIS ANOS ATRÁS, QUANDO, ATRAVÉS DO MOSAICO REALI, ABRI MEUS HORIZONTES DEIXANDO PARA TRÁS O TRISTE LIMITADOR DE "SÓ GOSTO DISTO E NÃO OLHAREI JAMAIS PARA OUTRAS POSSIBILIDADES".












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sexta-feira, 18 de outubro de 2013

REPAGINANDO MINHA PRAIA SEM AREIA



BAIXO CUSTO FOI O NORTE DAS TRANSFORMAÇÕES DE HOJE NO NINHO, UMA NA SALA, OUTRA NA COZINHA E OUTRA NO ESCRITÓRIO. ECONOMIA DEFINE AS AÇÕES, SEM DESPRESTIGIAR A ESTÉTICA, TÃO NORTEADORA DO PRAZER QUE ME DÁ CURTIR TUDO, DESCANSANDO O OLHAR NOS MEUS RESULTADOS.

EU ANDAVA QUERENDO AUMENTAR A LUZ ARTIFICIAL DO ESCRITÓRIO, JÁ QUE A NATURAL NÃO HÁ COMO, DEVIDO À FACE SOLAR NO APARTAMENTO.COMPRAR MAIS UM METRO DE LED MAIS SEUS APETRECHOS DE INSTALAÇÃO NÃO FICARIA BARATO, MAS EU TINHA UM METRO E MEIO INSTALADO NO ARMÁRIO SOBRE A PIA DA COZINHA. SÓ QUE DEPOIS DA REFORMA E RESPECTIVA TROCA DA ARANDELA COM LUZ MAIS POTENTE E A PINTURA NOVA EM EPÓXI BRANCO A COZINHA FICOU MAIS CLARA E SEM REAL NECESSIDADE DOS LEDS DE ANTES. RETIREI OS LEDS ( UMA TIRA ADESIVA ) COM CUIDADO E, NA MARCA QUE FICOU NO ARMÁRIO APLIQUEI RENDA BRANCA EM BICO, EMBEBIDA EM COLA BRANCA. PROBLEMA DA COZINHA RESOLVIDO.NÃO ACHEI NECESSÁRIO FOTOGRAFAR ESSE ARMÁRIO BRANCO COM A RENDA BRANCA PORQUE SEQUER APARECE MUITO. A FUNÇÃO DA RENDA COLADA É APENAS DE ESCONDER OS PEQUENOS DEFEITOS RESULTANTES DA DESCOLAGEM DA FITA DE LEDS.

APLIQUEI ENTÃO AS MICRO LUZES NA PRATELEIRA QUE FICA NA PAREDE ACIMA DA BANCADA DO ESCRITÓRIO. AGORA SIM TENHO ALI A LUZ QUE GOSTO E PRECISO.



DE PROPÓSITO APAGUEI A LUZ CENTRAL. EU QUERIA DAR IDEIA EXATA DA FUNÇÃO DOS LEDS NO ESCRITÓRIO

OLHA COMO A BANCADA FICA CLARINHA


HÁ TEMPOS PESQUISO UMA FORMA BARATA DE GUARDAR OS SAPATOS USADOS NA RUA EM ALGUM MOVELZINHO BEM PEQUENO NA ENTRADA DO NINHO, NA SALA. HOJE, NUM ANTIQUÁRIO ACHEI UM PORTA REVISTAS MUITO HARMONIZADO COM O MOBILIÁRIO DA SALA, DA MESMA COR DO PORTA CASACO E BOLSA ACIMA E, O PRINCIPAL, POR ÓTIMO PREÇO . . . GOSTEI DE TUDO:





ASSIM QUE A PREGUIÇA PASSAR VOU FAZER UM SACO DE PATCH COM LAÇO DE FITA NOS QUATRO CANTOS, PARA ABRIGAR PANTUFAS, HAVAIANAS OU O CALÇADO QUE "VEIO DA RUA"
DÁ PARA SER FELIZ, TER A CASA GOSTOSA, BONITA E BEM RESOLVIDA SEM QUE, PARA ISSO, O GASTO SEJA MAIS QUE O MENOR POSSÍVEL !
E VOCÊ, TAMBÉM BUSCA SOLUÇÕES BARATAS NA SUA DECORAÇÃO?