domingo, 19 de outubro de 2014

POESIAS DE OUTUBRO - EDIÇÃO 2014





"Florbela Espanca (1894-1930) foi uma poetisa portuguesa, autora de sonetos e contos importantes na literatura de Portugal. Sua poesia é conhecida por um estilo peculiar, com forte teor emocional.Nasceu na vila Viçosa-Alentejo, como filha ilegítima de João Maria Espanca e de Antónia da Conceição Lobo. Porém, foi educada pela madrasta e pelo pai. Estudou no Liceu em Évora e fez curso de Direito na Universidade de Lisboa. Foi casada três vezes, o primeiro deles, com Alberto de Jesus Silva Moutinho, seu colega da escola. Em 1913. Sua vida foi marcada por muitos problemas pessoais. Sofreu um aborto espontâneo muito cedo, o que lhe fez ficar doente por um tempo. Mas o que marcaria a sua vida foi a morte precoce de seu irmão, Apeles Espanca, num acidente de avião ocorrido em 1927. O fato colaborou para que Florbela Espanca desenvolvesse problemas mentais e tentasse suicídio um ano após a morte do irmão... A poesia de Florbela Espanca é caracterizada por um forte teor confessional. A poetisa não se sentia atraída por causas sociais, preferindo exprimir em seus poemas, os acontecimentos que diziam respeito à sua condição sentimental. Não fez parte de nenhum movimento literário, embora seu estilo lembrasse muito os poetas do romantismo.Florbela Espanca morreu em decorrência de suicídio por barbitúricos, em 1930, no dia de seu aniversário, com apenas 36 anos."


( http://www.e-biografias.net/florbela_espanca/ )





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Há quem diga que sentiu amor incestuoso imenso por seu irmão Apeles e que foi esse sentimento que lhe acabou tirando a vida, mas esse fato não aparece claramente em suas biografias consultadas por mim. Florbela já fez parte da edição 2013 desta série e hoje, valendo por ontem também, ela volta em sua gloriosa "parceria" com Fagner, uma delas, por sinal. E teria sido ele a inspiração de sua obra, tão emocional, inclusive este poema musicado por Fagner.






FANATISMO


Minh'alma, de sonhar-te, anda perdida

Meus olhos andam cegos de te ver!

Não és sequer razão de meu viver,

Pois que tu és já toda a minha vida!



Não vejo nada assim enlouquecida...

Passo no mundo, meu Amor, a ler

No misterioso livro do teu ser

A mesma história tantas vezes lida!



Tudo no mundo é frágil, tudo passa...

Quando me dizem isto, toda a graça

Duma boca divina fala em mim!



E, olhos postos em ti, vivo de rastros:

"Ah! Podem voar mundos, morrer astros,

Que tu és como Deus: princípio e fim!..."




(Livro de Soror Saudade, 1923)








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Um comentário:

  1. Que delícia ler Florbela nessa segunda-feira!! Também passei o final de semana sendo "espancada" pelos versos de Florbela.

    Ela é emocionante. Os versos dela são reflexos de minh'alma!!

    Beijos e linda semana!!!^^

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